quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sobre a formação de engenheiros


Vamos lá:
Não sei se essa carta do IEDI tem caráter de alarme, mas vamos aos fatos que eu posso vislumbrar aqui do sertão baiano, de dentro da terceira escola de engenharia mais antiga da Bahia, na Universidade Estadual de Feira de Santana. Formamos engenheiros desde 1983. Temos ex-alunos espalhados em todo o Brasil e no exterior, em pequenas empresas até grandes corporações como Odebrecht, Vale, Gafisa e até na Microsoft, em Seattle, bem como em órgãos públicos, sejam eles pequenas prefeituras do interior, sejam a Caixa, o DNIT ou a Embasa (companhia de águas e saneamento estadual), dentre outros.
Desde 2004 temos um mestrado em Engenharia Civil e Ambiental. Esse preâmbulo é apenas para situar de onde estou vendo as coisas. Fiz pós na UFF e na UFRGS. Fiz pesquisa cooperada junto com USP, UFMG, UFBA, UFC dentre outras. E, a despeito dessa minha posição enviesada, não compartilho de um pessimismo. Apenas constato que, como um dos fatores de produção do macro-complexo da construção civil, a formação (oferta) de engenheiros é mais inelástica do que os demais fatores.
Só que eu estou olhando à frente, e como membros da academia, estamos tentando aperfeiçoar essa oferta. A demanda de candidatos por vaga na nossa universidade saltou de 7,3 em 2006 para 22,77 agora no vestibular desse final de semana. Isso implica em quantidade e em qualidade.
Estamos tentando aumentar as vagas ofertadas por semestre, para diminuir um pouco essa situação. Agora não é possível tirar 30 anos de atraso em 3 anos. A remuneração dos engenheiros tem aumentado progressivamente, mas as pessoas falam como se um engenheiro atuando no mercado financeiro há anos fosse sair diretamente para o mercado sem passar por uma reciclagem.
Não há resposta de curto prazo. Aqui no sertão depois do boom, abriram mais duas escolas de engenharia civil, em faculdades particulares, fora mais outras 5 em outras especialidades como elétrica, mecânica e de produção. Mas estes profissionais só estarão formados em 5, 6 anos. Outro impacto é a importação de engenheiros, que já começaram em grandes companhias de telecomunicações, e tende a se acelerar.
O país vai ter de conviver com esse gargalo por muito tempo, fruto de políticas equivocadas que advêem do final dos anos 70 e que foram massivamente aplicadas como verdades no turbilhão neo-liberal dos anos 90. Mas eu, como engenheiro, prefiro ter problemas como esse gargalo do que a estagnação criminosa defendida pelos economistas financistas "head-sheet", como diz o Nassif.
Cristóvão César
Por rafael
Sou professor do Curso de Engenharia de Produção do Cefet do Rio de Janeiro e posso dizer que a Carta do IEDI é bastante exagerada. O empresariado brasileiro se acostumou a ter oferta sobrando de engenheiros no país. Nos anos 90 era comum ter 100 engenheiros brigando por uma vaga que mal pagava o salário mínimo de engenheiro e qualquer profissional com mais de 35 anos era tratado como lixo imprestável.
Os tempos mudaram mas parece que o empresariado nacional continua pensando da mesma maneira. Quais engenheiros faltam para o mercado? Os engenheiros que faltam são aqueles com 25 a 30 anos de idade que possuem pós-graduação, falam duas ou três línguas estrangeiras, já tenham experiência internacional e que aceitam um salário mensal em torno de R$ 3.000,00 (só para lembrar, o mínimo para engenheiros é equivalente a 8 salários mínimos para jornada de 8 horas).
Nós fazemos pesquisas sistemáticas com os egressos do nosso curso e podemos dizer que mais de 90% dos nossos alunos já terminam o curso de Engenharia de Produção empregados, mas a maior parte deles não recebe o salário mínimo de engenheiro após a formatura. Os formados acabam deixando a atividade de engenharia em favor de trabalhos com melhor remuneração.
Ao invés de pedir às Instituições de Ensino para formarem mais quadros de reserva, O IEDI deveria começar a se perguntar por que tantos engenheiros preferem fazer concursos públicos de fiscal a continuarem engenheiros, por que as empresas continuam a querer remunerar seus quadros abaixo dos 8 salários mínimos ou por que as empresas continuam a não querer empregar pessoas com mais de 35 anos. Garanto que rapidamente iriam descobrir que não faltam tantos engenheiros assim. 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Afinal, a engenharia é para mim?

Colégio, cursinho, estudo em casa. Colégio, cursinho, estudo em casa. Colégio, cursinho, estudo em casa. Essa costuma ser a rotina do aluno do ensino médio, que, de modo geral, tem o único desejo de, no fim do ano, ver o nome na famosa lista de aprovados no vestibular de uma universidade conceituada. Muitos desses conseguem vagas nas escolas de engenharia. Uns por terem a certeza do que querem, alguns por pressão familiar, outros porque não fazem a menor ideia do que estão fazendo com suas vidas e escolhem por escolher. Aí vem a pergunta: "Afinal, a engenharia é para mim?"
Antes de respondê-la, outras questões devem ser levantadas:

1- Quais afinidades existem com a engenharia?
O aluno deve analisar quais áreas do conhecimento lhe despertam mais interesse. As engenharias, independente da área específica, exigem muito o conhecimento e agilidade na base de ciências exatas. A matemática é essencial e acompanha o engenheiro até seus últimos dias. Portanto, se você não quer mais saber de problemas com números envolvidos, é melhor procurar outra faculdade.

2- O que a engenharia pode englobar?
Passados os números, o aluno deve analisar o que lhe desperta curiosidade. Existem engenharias ligadas às ciências biológicas, como a engenharia genética e a engenharia biomédica. Existem também aquelas ligadas à pecuária e produção alimentícia, como a engenharia agrícola e engenharia de pesca. Existem as mais tradicionais, como a engenharia civil e a mecânica. Existem, enfim, aquelas ligadas ao ramo da produção de material para pesquisa e desenvolvimento da ciência e tecnologia, como a engenharia da computação e a nuclear. As áreas de atuação são variadas, e é crucial saber escolher aquela para qual haverá mais entusiasmo em se trabalhar.

3- Eu tenho vontade de melhorar a vida das pessoas?
Um engenheiro tem o papel de facilitar a vida da sociedade, sem ter medo de ir atrás da solução para problemas que parecem indissolúveis. Resolver um problema é facilitar a vida das pessoas e fazer a tecnologia se movimentar, de modo a tornar as tarefas mais complicadas do dia-a-dia as mais prazerosas.

Se as três perguntas acima foram positivamente respondidas, é muito provável que a engenharia seja para você. Antes de se candidatar à vaga, procure um engenheiro que lhe mostre a realidade da profissão. Não tenha medo de arriscar. Vá em frente! As dificuldades vão ser muitas, mas, no decorrer do curso, vale a pena observar que todo o sofrimento valeu a pena para se fazer o que se gosta! 

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Seja bem vindo, este blog faz parte da atividade de informática instrumental do curso de engenharia civil da universidade federal do amazonas. Aqui iremos apresentar a engenharia de modo simplificado e acessível para todos os usuários. Espero que ajudem a todos os usuários.